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A mostrar mensagens de Fevereiro, 2007

Mar

(a semana passada)
Mar que engoles a areia... onde vais com tanta pressa? Espuma branca, água fria... porquê tamanha força? Precisas de espaço?! Sentes-te apertado, encurralado num espaço que te foi roubado?! Talvez tenhas razão para estar zangado... mas na tua ira afogas grãos de verões passados e deixas submersas as pedras com as marcas do tempo e da vida. As pessoas vieram ver-te. Olham-te com medo, com desdém, com raiva... Oiço os comentários sobre ti à medida que caminho e me fustigas o rosto. Eu continuo a olhar-te com respeito e admiração. Refrescas-me os sentidos e o pensamento e acalmas-me o espírito, como sempre fizeste.
Mar, de espuma branca e água fria, onde quer que vás não leves contigo a esperança de outros verões, de outras vidas, de outras recordações. Fica onde sempre te contemplei... junto ao quente sol de verão ou às frias noites de inverno.

Fim-de-semana na Casa Branca no meio da Serra

Voltou...

A porta abriu-se, devagar. A luz entrava suavemente pelas janelas. Ela entrou. Caminhou por entre as suas coisas e à medida que abria as janelas, o ar com cheiro a maresia perfumava a casa e o sol tocava o seu rosto, o chão, os móveis, os quadros...
Esteve pouco tempo. Apenas o suficiente para percorrer, para olhar, para sentir. Olhou os livros na estante, a garrafeira que ganha pó, a dispensa praticamente vazia, a cama e as almofadas perfeitamente intactas, os perfumes que não são tocados...

Na varanda estava a mesa e as cadeiras onde costumava sentar-se a ler um livro; a cama de rede, onde se deitava a observar as aves a regressar aos seus ninhos, essa não estava lá pois acompanhou-a na sua viagem. No pequeno canteiro começavam a surgir novos rebentos e as flores estavam lindas, como se ela cuidasse delas diariamente. Certamente a vizinha olhava por elas. Mesmo assim regou-as. Os cactos, os únicos seres vivos que habitam o interior da casa na sua pequena estufa, também tinham crescido…

O Beijo

(pintura rupestre do beijo - Serra da Capivara)
Estava na fila do bar. Era o último dia do Colóquio. Enquanto esperava pela minha vez, ele aproximou-se. Eu não o tinha visto. Estava também na fila do bar e, saindo da sua vez, veio-me falar. - Bom dia! - disse com um sorriso. - Bom dia. Como está? - retorqui. Acenou com a cabeça. Já nos tinhamos cruzado algumas vezes nos dias anteriores. Sem trocar nenhuma palavra cumprimentara-me sempre com um leve inclinar de cabeça, a que eu respondia delicadamente da mesma forma. Olhou a rapariga que entretanto tinha chegado e dirigiu-lhe igualmente um "bom dia" e um sorriso. Ainda ouvi um "bom dia professor" à medida em que avancei na fila do bar mas, fiquei sem ter a certeza do que se passara nesse mesmo instante...

Como que para dissipar as minhas dúvidas, oiço novamente a sua voz, desta vez dirigindo-se a mim: "não acha?". Olho para ele com ar interrogador. Não tinha a certeza se os meus sentidos me tinham enviado inform…

Diário da Minha Primeira...

... Comunicação no Colóquio da Afirse


Dia ZeroViagem: Lamego - Lisboa
Estado: De nervos... a comunicação não está pronta e o powerpoint também não!Pensamento do dia: "Curta Versão ou Longa Versão?! Eis a questão..."Acontecimento do Dia: Escolher um novo template para o powerpoint e estruturar tudo de novo!
Dia Um
Viagem: 2ª Circular numa tarde de chuva!Estado: Muito crítico! A menos de 24 horas da Comunicação e sem powerpoint concluído!Pensamento do Dia: "Go, Maria go!"Acontecimentos do Dia: A Comunicação da Maria! Concluir o powerpoint!!! Dia Dois(o dia D) Viagem: Novamente a 2ª Circular...
Estado: Demasiado Descontraído... (até chegou a ser preocupante) Pensamento do Dia: Só comecei a pensar depois da Comunicação: "Yes!"
Acontecimento do Dia:A Comunicação... ... era a última da Mesa a fazer a Comunicação... todos excediam os seus 15 minutos de Fama... começo a minha Comunicação quase à hora de terminar... a voz treme inicialmente... depois... depois já ningué…

Pegadas na areia

As pegadas indicam um caminho, um rumo, um percurso que se fez?

As pegadas só são nossas quando olhamos para trás? Se à nossa frente estão pegadas... andámos em circulo e viemos parar ao mesmo sítio? Ou estamos a percorrer um caminho que alguém já percorreu?


Se surgem pegadas ao lado das nossas... quer dizer que alguém caminha ao nosso lado? Ou estamos a caminhar num caminho paralelo ao de alguém?


E se encontramos pegadas que vinham de encontro às nossas? Devemos mudar de rumo? Ou continuamos em frente?

E quando nos deparamos com um labirinto de pegadas? Por onde caminhamos? Que rumo tomamos?

E se não encontramos pegadas de ninguém? Caminhamos sós? Ou exploramos o desconhecido? Pegadas... leva-as o vento... leva-as o mar... levo-as eu no meu pensamento e nas recordações que nem mar nem vento podem apagar.

De longe...

Estavam os dois sentados. Não se olhavam. Não se falavam. Pareciam dois estranhos. Apenas o facto de estarem sentados lado a lado, com uma curta distância física entre eles, mostrava que se conheciam. De cotovelos apoiados nas pernas, as mãos e os olhos eram a única parte do corpo que se mexia. Gestos curtos, sistemáticos, repetitivos, confinados ao pequeno objecto que cada um tinha na mão.
Alheios à presença de quem passava e à presença um do outro, assim ficaram durante todo o tempo em que o meu olhar, distraída mas não indiferentemente, ía de encontro a eles os dois. Dois amigos, namorados ou marido e mulher (pois não sei que laço os unia) mergulhados no silêncio das palavras, de olhar enfeitiçado pelo ecrã de um telemóvel. Um jogo demasiado interessante? A inexistência ou a fuga a uma conversa? O cansaço de alguns anos de convivência?...
Poderiam existir inúmeras explicações, justificações, razões plausíveis ou não de serem atribuídas à cena que presenciava. Não foi isso que prendeu…

Isto hoje está mesmo Difícil!!!

Estive 6 horas a vigiar uma frequência. (Escrevem tanto para quê?!)
Almocei às 16 horas.(Já nem tinha fome!)
Passei uma hora à espera de umas alunas. (Se eu alguma vez fazia isto...)
O jantar queimou-se. (Vá-se lá saber porquê?!) A electricidade falhou e o que estava a escrever no PC foi ao ar. (Porque é que tirei a bateria?!!!)
Quero passar umas fotos do telemóvel novo para o PC e a entrada do cabo não dá.(Ou eu hoje já não vejo bem ou o telemóvel veio com o cabo errado!)

Será que fica por aqui?!
(Agora só faltava querer publicar este post e o blogger falhar!!!)

Post sobre futebol?!

Adepta de futebol?! Não!
Sportinguista?! Não, não!
Então?!
Resposta muuuuuuuuito simples: Gosto da companhia do meu irmão. De conversar com ele. De ver o brilho nos seus olhos quando fala de algo que gosta. E além disso... cumpro sempre as minhas promessas (e tinha dito que um dia ía com ele ao futebol). Por isso, alterei os meus planos para sábado e acompanhei-o ao futebol. No final do jogo, quando saíamos do estádio, os seus olhos brilhavam ainda mais do que quando entrámos e, por entre um sorriso, pergunta-me: "Então?!". Agarrada ao seu braço, olhei-o, retribui-lhe o sorriso e, passado algum tempo, respondi-lhe: "nah! Não me convences. Continuo a não ser lagarto!!!". E rindo continuámos a andar por entre a multidão.

As noites serranas

Sempre escuras. Cada vez mais frias. Silêncio profundo. As estrelas continuam a olhar-nos lá do alto. Sempre brilhantes. Nem o frio as demove. As árvores altas cercam a casa branca. Mexem-se ao sabor do vento.
No interior da casa branca as noites são quentes. Silenciosas. Uma vezes longas. Outras curtas. Por vezes embaladas por palavras ou pela melodia de uma voz que não a minha. Quando a manhã chega ainda encontra os sinais da noite serrana...
O sol toca-lhe leve e lentamente... ... e o dia surge claro e sereno à minha janela.