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A mostrar mensagens de Março, 2007

Garfos, facas, colheres de sopa e de sobremesa...

Sempre que me lembro dela vem-me à memória o dia em que estávamos as duas sentadas na cozinha. Ela, de cabelos brancos e olhar meigo e na pele as marcas do tempo e da vida; e eu, de ganchinhos no cabelo e olhar cheio de sonhos de menina.

Não sei se estávamos a almoçar ou simplesmente a conversar. Sei que estávamos ambas sentadas à mesa da cozinha da minha avó (sua filha) e que, ao deixar cair um objecto (não me recordo qual), pede-me para ser eu a apanhá-lo e justifica: "ó filha, é que eu engoli um garfo".
Lá apanhei o objecto mas aquela frase andou na minha cabeça durante um tempo. Não sei quando percebi o que ela me estava a dizer... mas agora até consigo perceber o que ela sentia! Só que... eu tenho menos de metade da idade que ela tinha e acho que não engoli um garfo mas sim o faqueiro completo!

A palavra certa

Gosto de conduzir sozinha mesmo quando as viagens são longas. Estas permitem-me ouvir música e cantarolar (porque ninguém me ouve), perder-me nos meus pensamentos (não é nos cruzamentos!!!); olhar a paisagem e ver os pássaros a voar (mesmo que deixem marcas no vidro do carro!)...
Gosto particularmente da viagem de regresso a Lisboa (nem é preciso dizer porquê!). Mas depois de uma viagem que me custou particularmente a fazer (por razões alheias à minha vontade) e em que tive de parar várias vezes... a placa que dizia "Lisboa 7 Km" assemelhou-se à miragem de um pequeno oásis. E miragem foi, por longos momentos, a palavra certa porque eis o que encontrei antes do referido oásis...


E tudo o que eu queria naquele momento era o trânsito de Lamego em que meia dúzia de carros parados à minha frente são o suficiente para eu pensar: "xiiiiiiiiiii hoje há trânsito!".

És mesmo assim...

Tocas-me o rosto suavemente e acaricias os meus cabelos. Falas-me de mansinho ao ouvido quando caminho por entre a multidão ou quando caminho sozinha. Acompanhas os meus passos apressados quando mais ninguém parece fazê-lo.

Mas por vezes mudas de comportamento e foi o que aconteceu nestes últimos dias. As tuas carícias são mais bruscas. Insistes em demostrar a tua força, em contrariar o meu andar. Deixas-me fria e de lágrimas nos olhos. Acordas-me durante a noite quando assobias à minha janela e agitas os pinheiros. Mexes comigo, com o meu temperamento...

Mas... o que posso fazer?! És mesmo assim, não és... vento?!

moura no castelo...

Percorrendo a rua estreita por entre o casario...

... chega-se à zona mais alta da cidade de Lamego: o Castelo.
E como ainda não é verão, não se pode visitar o seu interior... por isso fico cá fora a admirar a paisagem e a relembrar uma das lendas de princesas mouras deste local.

E reza a lenda...

"Nos tempos idos das guerras entre Mouros e Cristãos, viveu no Castelo de Lamego um Rei Mouro de nome Alboacém, pai de uma linda princesa de nome Ardínia. A sua beleza era tal que desde logo seduziu o capitão Tedon, quando um dia, disfarçado, veio a Lamego. Tedon era um cavaleiro cristão, bisneto do Rei de Leão, D. Ramiro II. O primeiro encontro entre Tedon e Ardínia acontece no laranjal do castelo numa bela noite de luar. Com o suceder dos disfarçados encontros, a paixão entre os dois jovens aumentou rapidamente.
Um dia os jovens apaixonados decidem fugir para o convento de S. Pedro das Águias, onde o Abade Gelásio os casou. Porém o pai da princesa, ao sentir-se atraiçoado, procurou-a por …

Às vezes...

"Sinto que sou mais feliz do que me parece."
John Milton (O Paraíso Perdido, Séc. 17)

E já está!!!

Depois da dificuldade em concentrar-me, no dia que antecedeu a defesa da tese, e da dificuldade acrescida de ter de pensar no que vestir para tal momento... lá estive eu 1h 30m em frente a um júri que me questionou, elogiou e incentivou a continuar a investigar. E assim já posso mudar o título académico para Mestre, como me informou o orientador com um sorriso no rosto.
Para mim, mais do que um título académico que antecede o meu nome nestes meios académicos por onde circulo, o significado de ser mestre é bem mais pessoal.
Realizar o mestrado siginficou alcançar um objectivo que tracei há já alguns anos e que ganhou força quando incredulamente ouvi palavras que nunca pensei ouvir em relação a esta minha escolha. Por isso, ser mestre é, para mim, o recordar e o saborear de momentos de desalento, persistência, dúvidas, vitórias...
É o afirmar, a quem não acreditou, que... sim, sou educadora, sou dra, sou mestre... sim, acredito que sou capaz disto e muito mais... sim, eu gosto de educaçã…

Boa pergunta...

Depois de uma semana cheiiiiiiiiiiiiiiiiiiia de trabalho, sem tempo para mais nada que não fosse trabalho, trabalho, trabalho.... eis que a semana acabou e o fim-de-semana vai ser de... trabalho!!!
A poucos dias da defesa da tese ainda há muito para preparar e em que pensar: terminar o ppt, reler a tese, estruturar melhor o que vou dizer, antecipar o que me podem perguntar e como posso responder...
Pensava eu que eram estas questões que tinha para resolver, quando a minha colega me pergunta: "Então... e o que vais vestir?"
Pois... aqui está uma boa pergunta! Já agora... alguém tem a resposta?! É que só me ocorre algo do género...

Gosto... e não há nada a fazer!

Gosto de observar as minhas alunas no estágio e vê-las crescer profissional e pessoalmente mas esses momentos permitem-me também estar mais perto das crianças. E as minhas queridas alunas que me desculpem, mas... eu gosto mesmo muito desses momentos (vocês até sabem isso não sabem?!).
Agora que as crianças já me conhecem melhor há as mais diversas reacções à minha presença...

Uns dizem-me: "Bom dia professora Ruuuuuuuuuute!"
Outros esboçam um sorriso enorme e alguns sorriem timidamente
Há um que vem a correr e grita: "Ela veio! Ela veio! Olhem!!!"
Dois olham-me e comentam baixinho: "Ela hoje veio de saia..."
Uma menina diz quase sempre: "A professora Rute hoje está muito jeitosa..."
Também há os que estão a brincar e que de vez em quando vêm dar-me um beijo ou um abraço.
Uns mostram-me o sapato com os atacadores todos soltos.
Outros chamam-me para brincar com eles.
Alguns lêem-me histórias.
E enquanto uns mostram-me os seus desenhos, outros oferecem-mos.
..…

Olhar(es)

E hoje que estou a olhar o eclipse lunar por entre os prédios de Lisboa, penso em como seria olhar o céu por entre os pinheiros em Lamego.

Educação Imaginativa

Através da Intervir fiquei a conhecer o Grupo de Pesquisa sobre Educação Imaginativa - GPEI





"O Grupo de Pesquisa sobre Educação Imaginativa tem como objetivos mostrar como uma educação mais imaginativa pode ser implementada no dia-a-dia das salas de aulas, bem como proporcionar recursos que darão suporte ao trabalho pedagógico cotidiano.
Conectar a imaginação da criança com o mundo é a chave para um processo de ensino-aprendizagem significativo. Esta conexão é o foco do nosso trabalho. Nós não queremos nada menos que tornar as experiências de aprendizagem de todas as crianças, em todas as escolas, mais interessantes, significativas e imaginativamente envolventes. Ao desenvolver a imaginação de professores e alunos, nós acreditamos que podemos transformar a experiência escolar e ajudar os alunos a pensarem e compreenderem as disciplinas curriculares de modo mais criativo e significativo." Pode continuar a ler aqui