Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

Atrás dos Montes... 1 ano depois.

Chegámos há um ano. Respiramos este ar e percorremos estas pedras há 12 meses.
Viemos carregados de sonhos e uma carrinha com as nossas coisas.
Trouxemos os dois gatos, Ella e Zorba, companheiros de aventuras e viagens.

Aqui encontrámos gente. Simpática. Sorridente. Prudente. E outros que nada disso são.
Tudo é mais lento. Tudo funciona de forma diferente. Se isso é bom? Se isso é mau? É o que é!

Aqui deixámos-nos conquistar pela floresta, pelos ribeiros, pelos montes. Tranquilos. Rebeldes. Enérgicos.


Ao longo deste tempo, outros sonhos têm surgindo desalmadamente... sobrepõem-se, correm velozes pelos montes fora e repousam nas copas das árvores sob o céu estrelado que aqui parece estar mais próximo de nós.

Muitas histórias para contar e recordar. Sorrir, "rosnar" e até chorar.

Mais amigos se juntaram à nossa aventura... o Gorki e a Shiva... e a gata do alpendre, a Conan, que nos faz companhia não se privando da costumeira vida rural.

Um ano atrás dos montes...
As obras a a…
Mensagens recentes

Abrandar, relaxar, respirar... na Floresta!

O relógio e o Yoga

"Nos primórdios dos tempos, a prática pessoal de yoga não era controlada pelos ponteiros do relógio e realizava-se junto à natureza, no bosque, num ambiente banhado de ar puro e com abundância de prana (força vital, energia). O ritmo de vida citadina muitas vezes não se coaduna com a prática de yoga na natureza. Na verdade, os ponteiros do relógio até parecem ter um ritmo próprio e, não raras vezes, desgovernadamente rápidos."
Voltar à Natureza

"Pode ser uma mata, um bosque ou uma floresta.
Tire o relógio, desligue o telemóvel e caminhe como se o fizesse pela primeira vez. Observe o que o rodeia, desde a mais pequena flor ao pássaro que voa lá no céu. Permita-se simplesmente estar. E, se assim o desejar, faça alguns exercícios de pranayama e/ou asana."

O artigo O Tempo perguntou ao Tempo... pode ser lido na íntegra na Magazine do Yoga Life.

Das ausências e dos regressos

Passaram os meses, mudaram-se as folhas e colhem-se alguns frutos.
A natureza segue o seu curso, entre o que à terra regressa e o que dela renasce.
Entretanto, no fio da navalha se equilibram desejos, aventuras e realidades.
Mas é uma navalha bonita! - dizem alguns.
Afiadinha! - pensam outros.
Sempre gostei de navalhas! - Murmura-se.

Ausência prolongada...... regresso auspicioso.




A Heidi, o Pedro, o Capuchinho Vermelho e o Lobo que não era mau

A neve no pico da montanha.
O caminho entre os pinheiros escandinavos.
As folhas de castanheiro estaladiças.

As manifestações que não se vêem.
As mulheres em revista.
As flores na estrada.

O entulho que se despeja.
O plástico que se rejeita.
As conversas que se (des)articulam.



Vida(s) atrás dos montes

Os meses correm a fio. Na aldeia já há borboletas e o fumo continua a sair das chaminés. É o aquecimento global, dizem uns. É a vida, dizem outros.
O ciclo da vida está patente nas cores, sons e formas que me rodeiam. Um vaivém, um circulando, um breve suspirar. Tanto a acontecer e, no entanto, tudo aparenta estar parado.
As árvores! Como são belas. Tento fazer um desafio a mim mesma: fotografá-las e partilhar a sua beleza. Tenho dificuldade. Fico a observá-las, a abraçá-las, por vezes até registo a sua beleza na "polaroide"... mas guardo-a para mim. Não é justo, tamanha beleza diária deve poder ser admirada por quem vive longe dela. Prometo a mim mesma que vou tentar fazer diferente.
Na cidade aqui perto, parece haver um frenesim saudável dos alunos que pretendem alcançar os seus sonhos. À noite, o seu frenesim ecoa pelas ruas e entra no sono de alguém. Aqui, na aldeia, oiço o ladrar dos cães e o Gorki tenta fazer coro com eles. Gosto da minha aldeia.
Logo vou à cidade. Vo…

Adoptada! (sem o acordo)

Entre caminhadas para apanhar pinhas e paus para aquecimento, há todo um mundo a descobrir. Desta feita foram os cogumelos. Aprender com quem sabe e tem experiência, partilhar saberes na comunidade e confrontar, em conjunto, a sabedoria popular com o que vem nos livros da especialidade.

É tempo de crescer, de respirar profundamente e de pôr pés a caminho por entre as burocracias deste nosso Portugal. Aproveitar a viagem, apreciar novas cores e procurar outras soluções para questões antigas.

E, por agora, resta dizer que fomos adoptados!  Cá em casa já havia pegadas de dois gatos (Ella e Zorba) e de um cão (Gorki). Agora há mais as pegadas da Shiva, que veio revolucionar a Casa da Peña Mourisca! Seguiu-nos até casa e não pertencia à aldeia... aqui ficou, após uma magnífica recepção de todos cá de casa. Agora aguardamos que passem duas semanas para ter a certeza de que a Shiva não veio sozinha... 


úlhaque*...

Aqui, atrás dos montes...
o frio aperta,
 a chuva miúda não dá tréguas,
 as árvores têm cores de outono fantásticas,
 fazem-se potadas** e marmelada,
 as castanhas são saborosas,
comem-se torradas à lareira.


Aqui, atrás dos montes...
vêem-se águias a voar no céu,
encontramos ouriços perto de casa,
ao entardecer sentem-se os javalis,
junto à nogueira o esquilo come uma noz,
e abre-se a porta de casa e temos um cobra (pequenina!) a olhar para nós!


Aqui, atrás dos montes...
o tempo corre lento,
não é fácil solucionar problemas,
arrastam-se situações por resolver,
os "artistas" nem sempre assumem compromissos.

Aqui, atrás dos montes...
é atrás dos montes!
E eu adoro estes montes!


* nome de bebida tipo aguardente que serviam na Festa da Cabra e do Canhoto, em Cidões-Vinhais.
 Segundo me contou um senhor de sorriso rasgado, a expressão "úlhaque" era utilizada quando experimentavam a aguardente, querendo dizer "olha que é... forte/boa!)

** chamam "potada" ao …

Les Aventures De... Gorki!

Dois meses na aldeia e já é tudo dele!
Tem uns padrinhos fantásticos, já fez amigos  peludos de quatro patas, cumprimenta toda a gente e recebe de bom agrado os turistas que por aqui passam.
Mas... todos os dias são uma aventura!

Gorki... tenta apanhar a água que corre pela agueira: Gorki cai dentro do charco!

Gorki... vai passear: aparece com o osso craniano de um javali!

Gorki... vai atrás do vizinho: é apanhado a comer uma alheira!

Gorki... vai "falar" à vizinha: engole a pata de um coelho!

Gorki... está com o seu amigo Scott e aparece um carro: a vizinha quer proteger o cão e vai ao chão!

Gorki.... Gorki... Gorki... todos os dias há uma peripécia para contar!