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Mensagens

úlhaque*...

Aqui, atrás dos montes...
o frio aperta,
 a chuva miúda não dá tréguas,
 as árvores têm cores de outono fantásticas,
 fazem-se potadas** e marmelada,
 as castanhas são saborosas,
comem-se torradas à lareira.


Aqui, atrás dos montes...
vêem-se águias a voar no céu,
encontramos ouriços perto de casa,
ao entardecer sentem-se os javalis,
junto à nogueira o esquilo come uma noz,
e abre-se a porta de casa e temos um cobra (pequenina!) a olhar para nós!


Aqui, atrás dos montes...
o tempo corre lento,
não é fácil solucionar problemas,
arrastam-se situações por resolver,
os "artistas" nem sempre assumem compromissos.

Aqui, atrás dos montes...
é atrás dos montes!
E eu adoro estes montes!


* nome de bebida tipo aguardente que serviam na Festa da Cabra e do Canhoto, em Cidões-Vinhais.
 Segundo me contou um senhor de sorriso rasgado, a expressão "úlhaque" era utilizada quando experimentavam a aguardente, querendo dizer "olha que é... forte/boa!)

** chamam "potada" ao …
Mensagens recentes

Les Aventures De... Gorki!

Dois meses na aldeia e já é tudo dele!
Tem uns padrinhos fantásticos, já fez amigos  peludos de quatro patas, cumprimenta toda a gente e recebe de bom agrado os turistas que por aqui passam.
Mas... todos os dias são uma aventura!

Gorki... tenta apanhar a água que corre pela agueira: Gorki cai dentro do charco!

Gorki... vai passear: aparece com o osso craniano de um javali!

Gorki... vai atrás do vizinho: é apanhado a comer uma alheira!

Gorki... vai "falar" à vizinha: engole a pata de um coelho!

Gorki... está com o seu amigo Scott e aparece um carro: a vizinha quer proteger o cão e vai ao chão!

Gorki.... Gorki... Gorki... todos os dias há uma peripécia para contar!


Greve por Tempo Indeterminado

Quando em 2006 iniciei este Jardim das Cores estava a trabalhar no Jardim de Infância de uma IPSS. Muita coisa se havia passado, mas digamos que estava "desmotivada" com uma série de acontecimentos, estava a ficar doente e deu-me a casmurrice de fazer um Blogue (numa altura em que os Blogues de Educação de Infância eram praticamente inexistentes).
(2006 - na Horta do JI)
Sempre tive a mania de fazer o que gosto e a imensa dificuldade de estar num sítio onde não me sinto bem. No entanto, nem sempre é fácil "dar a volta" e mudar de rumo. O blogue deu-me um novo alento: descrever a minha prática de trabalho e partilhá-la (de forma absolutamente anónima!).
Ora, o Jardim das Cores "abriu-me" o caminho para o que eu tanto desejava: a Mudança! E lá fui eu, a caminho de Viseu!!! Durante dois anos estive a dar aulas na Escola Superior de Educação de Viseu e a viver numa Casa Branca no meio da Serra. Na altura, decidi continuar com o Blogue e relatar a experiência.…

Conversa e pregão (cão!)

Sexta-feira é o dia da feira semanal. É o dia em que o transporte coletivo passa na aldeia. É quando o camião faz a (não) recolha do lixo. É quando o padeiro percorre a rua principal anunciando a sua chegada.
Sexta-feira todos os caminhos vão dar à cidade. Na feira há galinhas e patos e apetrechos vários. Alguidares misturam-se com tachos e panelas. O cheiro das flores, confunde-se com o dos queijos e dos presuntos. E vendem-se figos miudinhos e cebolas de kilo. 
Há de tudo, para todos os gostos e necessidades. Móveis, Cintos, calçado, lenha e frango assado. Potes para a lareira, cabos de enxada, meias e cuecas para o menino e para a menina. É só ver. É só mexer no montão. Regatear o preço? Por que não?!
Ah! Mas o pregão ainda existe... ainda se chama o cliente e se tenta seduzir para a compra da bela mercadoria: "Oh fregueses! Venham ver! É roupa da Zara! A cigana rouba de noite para vender de dia!". 
Eu continuo a gostar mais do: "Quentes e Boas!!!" Aliás, estou…

O Tempo dos Montes

Aqui atrás dos montes, as noites já são mais frescas mas os dias continuam radiosos. Cá em casa parece que a Primavera chegou: Flores do campo para alegrar ainda mais os dias na nossa casa de xisto!
Depois de apanhar flores, maçãs, peras, amoras, folhas de figueira... as jarras estão coloridas, os doces deliciosos, a fruta a desidratar e os licores a macerar. 
Estamos a preparar-nos para o inverno que aqui há-de chegar, a seu tempo!  Nestes montes, o tempo tem outro tempo e o tempo é o tempo que a gente tem. É o aqui e agora. Somos nós e os outros e o caminhos que fazemos juntos.
Até já!








As estrelas da vizinhança

Na vida da aldeia, todos os vizinhos são nossos parceiros e há sempre espaço e tempo para trocar dois dedos de conversa, esperar que passem desenfreadamente à nossa frente ou que lentamente se passeiem ao nosso lado. Há tempo para os admirar, para lhes fazer uma festa ou simplesmente ficar a olhá-los indiscretamente.

Na vida da aldeia, as vacas e as cabras desfilam na estrada, a lagartixa passeia nas minhas escadas e as pessoas dizem "Bom dia" com um sorriso e um aceno de braço ou uma buzinadela.

Na vida da aldeia, o compasso é dado pelo sino da igreja e quando a burra da minha vizinha volta para o palheiro ao fim do dia, o morcego inicia o seu percurso habitual cumprimentando-me. A noite chega e brinda-nos com o seu silêncio e os mochos vizinhos com o seu piar.

Na vida da aldeia, admiram-se todos os vizinhos e companheiros e fica-se a olhar indiscretamente para os que estão lá no alto: as estrelas.

Na minha aldeia, as pessoas, os animais, a terra são excelentes vizinhos ma…

Revitalizar...

com a sombra, o som, o aroma, a frescura... de um pequeno passeio perto de casa.



Também se descobrem ramos para se lhes dar uma nova "vida".


E ao testar-se o equilíbrio,  é-se "apanhado" pela tecnologia que ainda nos acompanha.