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Pensar a Educação

A entrevista com Aldo Naouri (no Público) "Os maus pais são os que acham que a criança tem direito a tudo" tem dado que falar, pensar e argumentar na blogosfera. Envolta em alguma polémica e com defensores do SIM e do NÃO, importa ressaltar que a entrevista pelo menos veio mexer (ou não!) com as convicções de uns e de outros e colocar em debate questões educativas com que nos deparamos actualmente: autoridade, limites, transgressão, democracia, direitos da criança...

Concordando umas vezes mais ou outras vezes menos com algumas das suas afirmações, no meu ponto de vista parece-me importante que:
- os NÃO sejam firmes;
- os SIM sejam significativos e sentidos;
- as relações geracionais verticais também podem (e devem) ser pautadas por momentos relacionais horizontais;
- as crianças TÊM Direitos na Europa e no Mundo inteiro;
- as crianças devem saber o que é a Democracia e aprender a viver nela e com ela;
- temos (nós, adultos) que lhes pedir desculpa quando erramos (porque todos erramos e não só as crianças!);
- temos a obrigação de lhes mostrar os limites com firmeza, ternura, bom senso, verdade e justiça sejamos Pais, Educadores, Professores...

Costumo dizer que "Educar não é fácil mas é possível"... por isso é bom ouvir/ler e debater todas as perspectivas e opiniões... talvez assim encontremos cada um o seu caminho na Educação (mas isto também é, de certa forma, democracia).

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Comentários

Joana disse…
Rute, não resisti a vir aqui. A ti que és educadora, imagino que te confrontes com um inumero estilo diferente de pais. A mim que sou mãe, tambem me confronto com inumeros estilos de escolas. De tudo o que tenho visto, aquilo com que mais me identifico são os espaços que se desenvolvem com base no MEM. Embora o meu conhecimento do movimento seja superficial e de uma completa leiga, ele assenta na democratização do processo de aprendizagem, o que para mim faz imenso sentido. Neste contexto, não me consigo identificar com o pediatra e o seu discurso.
Educar é dificil, mas para mim tem sido um precioso desafio. Tenho aprendido imenso sobre mim, sobre o mundo, e sobre o que quero ser e o que não quero. Bjs
Leonardo B. disse…
Cara Rute

é pena que a vida só seja "validada", pelos grandes doutos, sabe Deus vindos de onde... com certeza que a maioria dos educadores sabe intuitivamente (e sem qualquer tipo de valor atestado...) o que estes iluminados "debitam", mas qual deslumbramento, descem à terra e questionam de alto a baixo, "a nossa sabedoria intuitiva", aquela que geramos e gerimos nas nossas vidas, de repente é posta em causa por "vislumbramentos alheios"... não me considero no alvo do dito cujo, até porque só por exercicio, ontem contei o número de “nãos”, e entre os meus dois filhos fiquei-me com aproximadamente 30 para um e cerca de 10 para outro, que esteve todo o dia na escola... "negociei" com a minha filha seis vezes, e ganhei 5 (nada mau… tendo em conta em duas ocasiões, os bons argumentos dela…) - fui passear pelo ribeiro perto da minha casa com o meu "fedelho" e viemos com uma mão cheia de amendoas e outra cheia de gargalhadas e dores nas pernas, pela caminhada: deixei-o de "rastos" e nem foi preciso mandá-lo para a cama... só não vi "a ilha das cores", porque estava noutros afazeres, (invisiveis aos grandes escribas de best-sellers), mas ainda não consegui passar-lhe (heresia!) o disco dos Beirut para o MP4 dele, que juro que não impingi, "mas "o pai" até ouve música porreira e diferente!"... e podia continuar por ai... estas coisas são feitas de altos e baixos, mas temos que partir do principio que aquele ditado antigo que dizia "filho és, pai serás...", tem mais essencia que uma boa carrada de livros na estante...

Um grande bom dia, Rute (e desculpe-me esta forma de tratamento, com todo o respeito…) e espero que neste esteja disposta a fazer um pouco "mais" pelo nosso mundo, procurando nele as pepitas de ouro e deixando para a trás a "caricas" brilhantes e sem qualquer valor...

Leonardo B.
Bizarril

www.impressoesdigitais2.blogspot.com
Rute disse…
JOANA:
Educar para além de ser possível é gratificante e é uma aprendizagem constante de todas as partes envolvidas. Também eu me identifico com o MEM (Movimento de Escola Moderna) não só como educadora mas também, e principalmente, porque os meus valores como pessoa assentam em princípios como os que este modelo defende, sendo um deles a vida democrática. Tenho dificuldade em conceber uma Educação que não contemple estes valores embora reconheça que por "tradição" fomos escolarizados sem saber verdadeiramente trabalhar em grupo, com poder de decisão nulo ou muito limitado, etc, etc. Mas a sociedade mudou e também nós educadores e professores temos de mudar. Não quero que os meus alunos sejam pessoas acríticas, sem capacidade de resolução de problemas, sem autonomia... Se fosse mãe quereria o mesmo para os meus filhos e "trabalharia" no mesmo sentido. E com toda a certeza continuaria a aprender ainda muito mais!!
Rute disse…
Leonardo B.:
Tentando fazer um exercício semelhante ao que descreve, agora à posteriori, hoje devo ter dito dezenas de NÃO às crianças (do JI) mas também lhes disse muitos SIM, até mesmo daqueles que se dizem sem falar com palavras! De certo todos os NÃO que lhes disse desde Setembro, o poder de escolha que lhes dou diariamente, os pedidos de desculpa que lhes exijo e os que lhes faço, não têm contribuído para que o respeito, a amizade, o carinho, a aprendizagem e os limites não existam. Bem pelo contrário! Hoje já estava eu fora do portão da escola e o meu "clube de fãs" ficou a gritar do lado de dentro e a enviar beijos. Por isso, em vez de trazer só a cara lambuzada de tantos beijos, trouxe o ego bem acariciado e a consciência bem tranquila relativamente ao espírito de vida democrático que tento que se viva na sala.
Acredito que na Educação damos muito de nós próprios, mesmo que seja na Educação dos que não são nossos filhos. Por isso, eles gostam de ouvir as músicas que partilhamos com eles e os livros que lemos com entusiasmo e não por obrigação, gostam das gargalhadas que damos juntos e também das dores nas pernas... a Educação é vida, não é apenas investigação. A prática e a teoria alimentam-se mutuamente e tal como não devemos "olhar do alto" uma criança também devemos ter a humildade de pensar e saber que nem sempre as teorias são assim tão lineares. ÀS vezes gostava que mais investigadores passassem pelo "directo".

Fica o desabafo, o agradecimento pelas suas palavras e o desejo de que os passeios com os seus "fedelhos" lhe continuem a proporcionar mãos cheias de bons momentos.
Leonardo B. disse…
Simplesmente:

Muito agradecido!
As suas "crianças" só podem ter "muita sorte"...

Um bom descanso, no fim-de-semana e até sempre!

Leonardo B.
Bizarril

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