sábado, setembro 29, 2018

Conversa e pregão (cão!)



Sexta-feira é o dia da feira semanal. É o dia em que o transporte coletivo passa na aldeia. É quando o camião faz a (não) recolha do lixo. É quando o padeiro percorre a rua principal anunciando a sua chegada.

Sexta-feira todos os caminhos vão dar à cidade. Na feira há galinhas e patos e apetrechos vários. Alguidares misturam-se com tachos e panelas. O cheiro das flores, confunde-se com o dos queijos e dos presuntos. E vendem-se figos miudinhos e cebolas de kilo. 

Há de tudo, para todos os gostos e necessidades. Móveis, Cintos, calçado, lenha e frango assado. Potes para a lareira, cabos de enxada, meias e cuecas para o menino e para a menina. É só ver. É só mexer no montão. Regatear o preço? Por que não?!

Ah! Mas o pregão ainda existe... ainda se chama o cliente e se tenta seduzir para a compra da bela mercadoria: "Oh fregueses! Venham ver! É roupa da Zara! A cigana rouba de noite para vender de dia!". 

Eu continuo a gostar mais do: "Quentes e Boas!!!"
Aliás, estou desejosa de sentir o cheiro e de me deliciar com a bela da castanha assada na "lareira a estalar". Por aqui, dizem que faz falta uma chuvinha para que a dita se desenvolva bem. E, na verdade, eu e o Gorki confirmamos: lá estão elas bem no alto, ainda adormecidas numa cama fofa rodeada de verdes picos. 

Então, até já!

quarta-feira, setembro 26, 2018

O Tempo dos Montes


Aqui atrás dos montes, as noites já são mais frescas mas os dias continuam radiosos.
Cá em casa parece que a Primavera chegou: Flores do campo para alegrar ainda mais os dias na nossa casa de xisto!

Depois de apanhar flores, maçãs, peras, amoras, folhas de figueira... as jarras estão coloridas, os doces deliciosos, a fruta a desidratar e os licores a macerar. 

Estamos a preparar-nos para o inverno que aqui há-de chegar, a seu tempo! 
Nestes montes, o tempo tem outro tempo e o tempo é o tempo que a gente tem. É o aqui e agora. Somos nós e os outros e o caminhos que fazemos juntos.

Até já!









quarta-feira, setembro 19, 2018

As estrelas da vizinhança


Na vida da aldeia, todos os vizinhos são nossos parceiros e há sempre espaço e tempo para trocar dois dedos de conversa, esperar que passem desenfreadamente à nossa frente ou que lentamente se passeiem ao nosso lado. Há tempo para os admirar, para lhes fazer uma festa ou simplesmente ficar a olhá-los indiscretamente.

Na vida da aldeia, as vacas e as cabras desfilam na estrada, a lagartixa passeia nas minhas escadas e as pessoas dizem "Bom dia" com um sorriso e um aceno de braço ou uma buzinadela.

Na vida da aldeia, o compasso é dado pelo sino da igreja e quando a burra da minha vizinha volta para o palheiro ao fim do dia, o morcego inicia o seu percurso habitual cumprimentando-me. A noite chega e brinda-nos com o seu silêncio e os mochos vizinhos com o seu piar.

Na vida da aldeia, admiram-se todos os vizinhos e companheiros e fica-se a olhar indiscretamente para os que estão lá no alto: as estrelas.

Na minha aldeia, as pessoas, os animais, a terra são excelentes vizinhos mas as estrelas... AH! são magníficas!

quinta-feira, setembro 13, 2018

Revitalizar...


com a sombra, o som, o aroma, a frescura... de um pequeno passeio perto de casa.



Também se descobrem ramos para se lhes dar uma nova "vida".


E ao testar-se o equilíbrio,  é-se "apanhado" pela tecnologia que ainda nos acompanha.


terça-feira, setembro 11, 2018

Fomos às Amoras


Nos campos cultivados reluzem as abóboras.
Nas minhas escadas nascem deliciosas melancias.
Pequenas mãos ofertam-me peras sumarentas.
Os caminhos brindam-me com amoras silvestres.

Caminhámos e comemos amoras ainda quentes pelo sol da manhã.
À tarde há experiências na cozinha: doce de amora!

Grata por esta aldeia e por esta floresta que me acolhe.
Namastê.

domingo, setembro 02, 2018

E a Escola?!


Boom... Boom!!!
Bye... Bye!!!
À minha participação neste "modelo" de ensino que oprime a criatividade, a personalidade e a integridade das crianças, jovens, pais e professores que, diariamente e durante anos, lutam por uma Educação de Qualidade.

Ora, esta parece ser uma grande decisão, mas, na verdade, é apenas uma de tantas outras escolhas que tenho vindo a fazer neste caminho que se chama vida.

Para ser direta e franca (para comigo mais do que para os outros): fartei-me! 
Fartei-me do ciclo: trabalhar - pagar as contas - trabalhar. 
Cansei-me de andar pelas ruas a respirar poluição e a desviar-me de carros, de pessoas com problemas "umbilicais", de lixo e de cócó de cão. 
Exasperei-me com o "corte" na criatividade, na livre expressão, no Teatro, na Educação...
Desesperei por não haver mudanças!

Então, percebi que as mudanças que eu tentava fazer, não eram suficientes. 
Decidi quebrar o circulo, respirar melhor e lutar por aquilo que me faz sentir bem.
Estou a descobrir, a projetar, a trabalhar...  um projeto de vida mais sustentável, criativo. Cuido da Terra e das Pessoas.

Numa casa de xisto, numa aldeia que fica atrás dos montes e rodeada por uma floresta de carvalhos, dão-se cor a sonhos que aqui iremos partilhar.





Ciências divertidas: Magnetismo

Esta semana as ciências regressaram aos Jardins de Infância. Das hipóteses ao factos... prever, experimentar e registar é um processo colabo...