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O que um jogo de computador pode fazer...

Quando uma criança de 3 anos, no meio de uma conversa em grupo sobre aviões, nos diz "amanhã vou ao aeroporto, vou andar de avião", expressa-nos a sua vontade de explorar o desconhecido pois é uma realidade que, neste caso, não conhece. Mas quando a mesma criança continua dizendo "o avião vai explodir e vão morrer todos!"... acreditem, é de ficar aterrorizado... Que vivência tem esta criança para tecer tamanho comentário com tão aparente normalidade?!

Ao tentar compreender o porquê desta afirmação, a criança explica que é o que acontece no jogo de computador que joga com o irmão (de 7 anos). E continua a descrever o "seu" conhecimento sobre os aviões: "pôe-se a escada para as pessoas subirem para o avião e as pessoas caiem todas"; "um pássaro vai contra o avião e o avião explode". As outras crianças estavam perplexas com o discurso do colega, que é raro fazer intervenções em grande grupo. O que fazer?! Descrevi a minha viagem de avião no verão passado e as crianças que já viajaram de avião contaram também a sua experiência. A criança ficou pensativa... mas pouco convencida.

Muito se tem escrito sobre a violência nos jogos de computador, o seu uso excessivo por parte das crianças e sem o controlo dos pais. Ora aqui está um pequeno exemplo das proporções que pode tomar. Uma visão completamente distorcida da realidade, que não nos pode deixar indiferentes e despreocupados. Espero que o projecto sobre "Viagens" lhe dê uma visão diferente do mundo e que o computador que temos à cerca de um mês na nossa sala de jardim de infância lhe permita compreender que tem outras utilidades para além deste jogos que ele conhece.

Comentários

Carlos Ribeiro disse…
Sem querer discordar, ou polemizar gratuitamente... Tenho filho (5 anos) e me preocupo com isso também. Mas veja outro lado: as crianças, historicamente, sempre foram muito mais expostas à violência, ao lado duro da vida, do que são hoje. Crianças viam seus amigos e parentes morrer de doenças que hoje são curadas facilmente. A expectativa de vida era muito menor. A violência era muito mais presente na vida social.

Lembro este contraponto para propor uma ampliação da discussão: será que não estamos blindando excessivamente as crianças da realidade? De certa forma, a realidade virtual (e a sua violência fantasiada) são substitutos para uma vivência da realidade que não existe mais. Bem ou mal, crianças manifestam interesse por coisas violentas; mesmo quando é chocante e assustador para elas, alguma coisa as atrai. Basta ver as reações de uma criança, ou adolescente, a histórias ou filmes de suspense. A violência virtual existe porque há demanda. Existe porque algo dentro de nós precisa ser amadurecido, na nossa relação com a vida e com a ética. Um entendimento do valor da vida, um entendimento do valor do "bem que vence o mal".

O que falta, na minha visão, é um senso de consequência na violência virtual. A criança pode sair com a percepção de que a violência pode sim, ser gratuita, e não ter consequências reais. Neste sentido, a falha não é da violência virtual em si, mas da falta de orientação, e da falta de exemplos bem construídos. Entendo que em um ambiente educacional correto, rico, a violência tem o seu lugar nas estórias e fantasias; é parte inerente da experiência física, é parte da "lei do mundo", da "lei do mais forte", que as crianças tem que entender para serem adultos saudáveis, equilibrados... e pacíficos.

p.s. Parabéns pela iniciativa do blog... achei por acaso, mas gostei do que li.
Rute disse…
Olá Carlos. É um prazer receber a sua visita.

Na minha opinião não podemos nem devemos esconder das crianças que a violência existe, sempre existiu e que continuará a existir. No entanto, penso que devemos acompanhá-los neste percurso para que não fiquem com uma visão distorcida de realidade.

As crianças são detentoras de uma opinião própria que são fruto das suas vivências e experiências. Assim vão construindo o seu conhecimento do mundo em que vivem.

Ao escutar o que pensam, conversar com elas, respeitar as suas ideias e pensamentos conseguimos ter uma visão mais informada sobre elas próprias.

Nesta história toda, fico feliz por a criança ter encontrado um espaço junto de mim e dos colegas para dizer o que pensava e ter contacto com outras visões diferentes da dele.

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