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Enquanto esperava olhei para uma das prateleiras mais fascinantes do meu quarto. Ainda tinha tempo. Procurei. Apesar de não saber dizer o que procurava assim que o meu olhar poisou nele descobri, naquele instante, que era ele que eu queria. Sentei-me e ali fiquei durante algum tempo (o suficiente para reencontrar estas palavras que agora transcrevo).


"A menina pôs a sua cabeça dentro do cálice da rosa e respirou longamente. Depois levantou a cabeça e disse suspirando:
- É um perfume maravilhoso. No mar não há nenhum perfume assim. Mas estou tonta e um bocadinho triste. As coisas da terra são esquisitas. São diferentes das coisas do mar. No mar há monstros e perigos, mas as coisas bonitas são alegres. Na terra há tristeza dentro das coisas bonitas.
- Isso é por causa da saudade - disse o rapaz.
- Mas o que é a saudade? - perguntou a Menina do Mar.
- A saudade é a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora.
- Ai! - suspirou a Menina do Mar olhando para a terra. Por que é que me mostraste a rosa? Agora estou com vontade de ch0rar.
O rapaz atirou fora a rosa e disse:
- Esquece-te da rosa e vamos brincar."

Sophia de Mello Breyner Andresen (A Menina do Mar)


Comentários

Selene disse…
o olhar sempre inocente mas nem por isso menos arguto das crianças nunca pára de me supreender. também adoro este livro de Sophia, é um dos meus favoritos, que podemos ler de forma leve se necessitamos de animar ou de forma mais filosófica se quiseremos filosofar. bom post ;)

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