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De longe...


Estavam os dois sentados. Não se olhavam. Não se falavam. Pareciam dois estranhos. Apenas o facto de estarem sentados lado a lado, com uma curta distância física entre eles, mostrava que se conheciam. De cotovelos apoiados nas pernas, as mãos e os olhos eram a única parte do corpo que se mexia. Gestos curtos, sistemáticos, repetitivos, confinados ao pequeno objecto que cada um tinha na mão.

Alheios à presença de quem passava e à presença um do outro, assim ficaram durante todo o tempo em que o meu olhar, distraída mas não indiferentemente, ía de encontro a eles os dois. Dois amigos, namorados ou marido e mulher (pois não sei que laço os unia) mergulhados no silêncio das palavras, de olhar enfeitiçado pelo ecrã de um telemóvel. Um jogo demasiado interessante? A inexistência ou a fuga a uma conversa? O cansaço de alguns anos de convivência?...

Poderiam existir inúmeras explicações, justificações, razões plausíveis ou não de serem atribuídas à cena que presenciava. Não foi isso que prendeu a minha atenção, mas sim o sentimento de que ambos estavam sós, cada um enfeitiçado pelo objecto que tinha nas mãos, em vez de se enfeitiçarem com as palavras, o olhar, os gestos um do outro.

E de longe quase que pude sentir o abismo entre os dois.

Comentários

pitanga disse…
Um abismo ou um muro. Os dois têm a mesma intensidade.Espero que nunca sintas nenhum dos dois.Doem.

beijos de fim de semana
Anónimo disse…
Olá Rute, lembrei-me de ti
http://www.iec.uminho.pt/ModuleLeft.aspx?mdl=~/Modules/UMEventos/EventoView.ascx&ItemID=771&Mid=178&lang=pt-PT&pageid=3&tabid=0,
acho que vais gostar!!
Rita B.
Rute disse…
Pitanga:
Tens razão, doem. Bom fim-de-semana para ti também.

Rita B.:
Obrigada pela sugestão. Os Ciclos que têm realizado parecem ser interessantes, eu é que ainda não consegui ir a nenhum. :(
Beijinhos
greentea disse…
e tantos há que vivem assim ...nesse enfeitiçamento deuma qualquer outra coisa que não eles próprios!...

Boa estadia e que o tal laracho apareça , com um brilhozinho nos olhos e se deixe enfeitiçar que não por mais outro telemóvel ou bólide de última geração...

beijinhos
Joao Soares disse…
Gostei muito do teu blogue.Espero que te encantes coma a cores do BioTerra.
Abraço
Araj disse…
Há alturas em que a simples presença, mesmo que distante, vale mais que lim palavras ou mil afectos....
Lília disse…
Imagens dessas são mais comuns do que se possa imaginar. Sentir-se só no meio da multidão é horrível, mas sentir solidão junto dos que amamos é tortura pura.
Quando já não há nada a dizer, ou o que se tem a dizer não chega para aquecer o coração é sinal de que estão gastas as palavras.
Cada um vira-se para si mesmo e dois corpos juntos deixam de saber comunicar.

Beijinhos

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