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Voltou...


A porta abriu-se, devagar. A luz entrava suavemente pelas janelas. Ela entrou. Caminhou por entre as suas coisas e à medida que abria as janelas, o ar com cheiro a maresia perfumava a casa e o sol tocava o seu rosto, o chão, os móveis, os quadros...


Esteve pouco tempo. Apenas o suficiente para percorrer, para olhar, para sentir. Olhou os livros na estante, a garrafeira que ganha pó, a dispensa praticamente vazia, a cama e as almofadas perfeitamente intactas, os perfumes que não são tocados...

Na varanda estava a mesa e as cadeiras onde costumava sentar-se a ler um livro; a cama de rede, onde se deitava a observar as aves a regressar aos seus ninhos, essa não estava lá pois acompanhou-a na sua viagem.

No pequeno canteiro começavam a surgir novos rebentos e as flores estavam lindas, como se ela cuidasse delas diariamente. Certamente a vizinha olhava por elas. Mesmo assim regou-as. Os cactos, os únicos seres vivos que habitam o interior da casa na sua pequena estufa, também tinham crescido. Cuidadosamente regou-os também.

Voltou a olhar mais uma vez. Voltou a fechar as janelas. E depois voltou a fechar a porta. Lá dentro fica guardado o tempo vivido e o tempo por viver. Por agora a sua casa é outra, é tempo de viver outra vida, noutro lugar...

Comentários

pitanga disse…
Rute, acabas de descrever, com algumas ressalvas, o que vivo quando chego a Portugal. A impressão que tenho, quando abro a porta é que saí há poucos minutos. Tudo que ali deixei, continua com o meu perfume, o meu jeito. O difícil é a hora em que fecho a porta para voltar a "outra casa", que já nem sei qual é realmente a minha.

beijos e vai ao Pitanga
Rute disse…
Pitanga:
É verdade já nem sei qual é realmente a minha...

Beijinhos

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